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| Mudança no protocolo por Francisco gera repercussão na internet e na própria Igreja. (Foto: Reprodução) |
Tal ocorrido foi forte demais e suficiente para sites católicos conservadores do mundo inteiro chamassem a atitude do Papa de “perturbadora”, além de outros adjetivos ótimos para alimentar o ódio daqueles que ficam à espreita, à espera de um assunto que possam usar para promoção própria. Mas o biógrafo papal, Austen Ivereigh, o defendeu, dizendo que ele é o vigário de Cristo, não um imperador romano.
Diante disso, vale lembrar que alguns pontos devem ser destacados em torno desta polêmica:
- O Vaticano não explicou o caso e não deve dar muita atenção ao tema;
- O Anel de Pescador de Francisco não é o mesmo que usaram os papas anteriores (de ouro maciço), mas um novo, de prata coberto de dourado;
- Francisco aboliu o beija-mão do protocolo Vaticano;
- Ele tem preferido substituir a saudação por abraços;
- João Paulo II e Bento XVI, apesar de permitirem, também não gostavam de ter o anel beijado, pelo menos em grandes filas de pessoas - eles evitavam brechas.
O padre jesuíta Russell Pollit se pronunciou sobre o caso: "É hora do hábito de beijar os anéis dos bispos desaparecer por completo. É ridículo e não tem nada a ver com tradição. É uma importação das monarquias. Grande parte da pompa em torno dos bispos deveria ser descartada”.
(Acima o vídeo na íntegra, da Vatican News, mostra visita do Papa ao Santuário de Loreto. A partir de 1h de vídeo, as pessoas começam a cumprimentar o Papa)
Na avaliação de James Reynolds, correspondente da BBC em Roma, em matéria publicada recentemente, o vídeo que circula nas redes sociais foi editado e corresponde apenas a uma pequena parte.
O Papa Francisco teria, durante 13 minutos, cumprimentado 113 monges, freiras e paroquianos. Nos primeiros dez minutos, 14 pessoas decidiram apenas cumprimentar o Papa com um aperto de mão, enquanto 41 outras se baixaram para beijar tanto a mão como o anel, sem qualquer protesto da parte do líder da Igreja Católica.
Francisco tem consciência do gesto
Em outras oportunidades, o Papa já foi “flagrado” na situação:
- Jerusalém, em Maio de 2014, quando a mais alta figura do Vaticano tentou beijar a mão do líder da Igreja Ortodoxa, Bartolomeu I de Constantinopla, como um sinal de reconciliação entre as duas igrejas cristãs.
- No início de 2018, quando estava no Peru, prestes a embarcar de volta para Roma, o presidente peruano Pedro Pablo Kuczynki tentou se despedir do Papa Francisco com o “beija-anel”, mas o Santo Padre não permitiu.
POR EDUARDO GOIS.
FONTE: A12.

