| Padres pertencentes ao Clero de nossa Diocese passaram por uma atualização nesta última semana de outubro. ´(Foto/ Reprodução: Diocese de Leopoldina) |
• Como assunto introdutório o assessor trabalhou sobre a tão falada Síndrome de Burnout. Sobre o cansaço e o esgotamento presbiterais. Apontou a necessidade do enfrentamento maduro desta questão;
• Ao propor o tema, questionou o interesse dos padres e abordou a época de mudança e mudança de época e, a pessoa do padre em meio a toda essa conjuntura; é necessário aprender a elaborar as mudanças e, concomitantemente, mudando;
• O Documento utilizado como base é o novo texto sobre a formação sacerdotal: O Dom da Vocação Presbiteral. Ele explorou seus fundamentos teológicos e sua incidência na espiritualidade presbiteral;
• Na esteira deste Documento, foi exposto a necessidade da formação permanente, vivê-la como experiência de discipulado que jamais se interrompe e é sempre contínua. O efeito deste caminho de discipulado é o progressivo conhecimento e identificação com Jesus, à luz do Espírito Santo, na constante arte de formar-se. Esse fato sugere sempre a capacidade de elaborar as mudanças;
• Ao propor uma estrutura da personalidade, o assessor sugeriu a pedagogia da divisão do EU (INTERNO E EXTERNO). Chamando-os de mundo interior e exterior e destacou as peculiaridades de cada um. Utilizando, para isso, a imagem do iceberg. Neste contexto, destacou ainda a necessidade de uma constante dedicação a si mesmo, o cuidado de si, a visita a si mesmo;
• No processo do cuidado consigo mesmo é preciso ter raízes bem fincadas, para que exista uma totalidade de existência. E, o mundo com rápidas transformações provoca a todo momento uma nova postura, um novo jeito de se colocar. Sendo necessário quase sempre uma elaboração de um novo cenário para si mesmo. O contexto exige sempre mais eficácia, sucesso, produção. Isso é acompanhado de um desgaste e um esquecimento de si. É importante embrenha-se no caminho do “quem sou eu? ” Promovendo o crescimento interior superando o narcisismo pessoal e estrutural;
• O assessor chamou a atenção para a necessidade de olhar o percurso sacerdotal como um caminho existencial e espiritual, isso exige uma profunda fidelidade sacerdotal. Reconhecer o sagrado que cada um é, dialogar com as experiências, zelar pelas relações de colaboração, promover convivências são fatores fundamentais na existência sacerdotal;
• Padre Tatagiba pediu a atenção de todos quanto ao corpo, uma observação generosa e atenta de tudo o que ele apresenta, eliminando os medos que lhe são inerentes, experimentando as próprias fraquezas, contradições, tudo isso com confiança em Deus. Ele destacou três percepções sobre o corpo na atualidade, pelas respectivas áreas: religiosa (corpo como suspeita), medicina (corpo como máquina), sociedade (corpo como estética);
• Jamais o isolamento é a solução para as dificuldades, sobretudo, as presbiterais. A sinceridade com o diretor espiritual é fundamental, isso evitará o risco de se sentir funcionário do sagrado;
• No que concerne ao amor líquido, à fragilidade dos relacionamentos, conceitos, a verdade, é necessário conjugar liberdade com segurança, a segurança no envolvimento. Tudo isso em um mundo de furiosa individualização, ambiguidades, constantes mutações;
• O tempo presente é o momento dos relacionamentos e de suas variadas configurações. É preciso ter olhar atento sobre as fragilidades e as rupturas que norteiam todo tipo de relacionamento, seja exterior ou consigo mesmo;
• Ao abordar sobre “ O olhar do discípulo sobre a realidade”, o assessor amparou-se no Documento de Aparecida para fazer uma leitura com olhar eclesiológico sobre o momento atual. Levantando a questão sobre como se configurar a Cristo nas atuais circunstâncias;
• Amparou-se também na Constituição Gaudium et Spes do Concílio Vaticano II, precisamente em seus artigos 1,3,4 e 11. Neles, os padres conciliares questionaram sobre a relação da Igreja com a realidade e com o ser humano;
• Para maior solidez de conteúdo o assessor usou a Evangelli Nuntiandi de São Paulo VI. Sobretudo os números 4 e 5. Onde a reflexão do Romano Pontífice, de saudosa memória, desdobra-se sobre a cultura e sua relação com o Evangelho. Entre o conteúdo citado ele chamou a atenção para o drama que se estabeleceu pela ruptura entre a cultura e o Evangelho;
• Em um terceiro momento, Padre Tatagiba trabalhou o Graunding e a autonomia. Sendo que o primeiro significa o processo energético em que um fluxo de excitação percorre o corpo da cabeça aos pés. Sendo assim é necessário o enraizamento como mecanismo de defesa, para que o ser humano não seja tomado por outros meios. Há técnicas para isso. A psicologia do corpo oferece uma fecunda ajuda, no que concerne à saudabilidade;
• A cultura excita muito, mas do exterior ao interior. Não toca a raiz. É preciso um grande contato com a realidade; o aparecer constante, o mostrar-se virou, em tese, “ a regra do jogo atual”;
• Assim, o assessor evidenciou a necessidade da espiritualidade para uma boa relação com o Mistério e boa relação com o mundo que está envolvido por Ele. Prestar atenção nos sintomas corporais, tudo se manifesta no corpo. Atentar-se mais aos sintomas que aos remédios. O corpo sempre revela o emocional, o caráter e a personalidade. Assim, é preciso desenvolver a habilidade de uma análise de si, pela psicologia e pela espiritualidade;
• Ao longo de todo o encontro Padre Tatagiba ensinou várias técnicas para perceber-se e ler-se ao longo dos dias e conseguir a percepção mais apurada dos sintomas, discernindo os direcionamentos das energias e o que elas revelam.
• O padre citou algumas bibliografias que podem colaborar com nossa formação pessoa: as obras de Bauman e ainda, Teologia do Corpo; O Corpo, caminho para Deus; Espiritualidade do Corpo, Sapiens, Homo Deus e 21 cartas para o século XXI.
POR PADRE ALESSANDRO TAVARES.
FONTE: DIOCESE DE LEOPOLDINA.
